Movimento Água no Feijão prepara novos projetos para 2021

Ação solidária reúne 60 voluntários liderados pela chef Telma Shiraishi. O grupo distribuiu mais de 63.000 refeições no ano passado, sendo 50.000 marmitas para a comunidade de Heliópolis e mais 13.000 refeições por meio de parcerias com projetos sociais selecionados

 

 

Após 8 meses de atuação e 63.000 refeições distribuídas, o Movimento Água no Feijão (MANF) encerrou o projeto no dia 23 de dezembro. Inicialmente, a ação foi planejada para durar apenas 1 mês, mas graças ao apoio dos patrocinadores, apoiadores e pessoas físicas, o grupo conseguiu manter as refeições diárias para a comunidade de Heliópolis, de maio a dezembro de 2020.

 

“Foi surpreendente como o projeto cresceu rápido e conquistou tanto engajamento em tão pouco tempo. Mesmo agora, nós nos surpreendemos com o alcance e a mobilização, pois o esperado seria perdermos impacto junto aos apoiadores ou a força do voluntariado que se desgasta com o passar do tempo”, comenta Telma Shiraishi, idealizadora do MANF.

 

Um dos principais trunfos do projeto é a equipe talentosa, formada por jovens representantes das entidades realizadoras (JCI Brasil-Japão, Abeuni, Comissão de Jovens Bunkyo, Aliança Cultural Brasil-Japão, Abjica, KIF Brazil, Asebex e Japan House São Paulo).

 

“Um dos fatores do grande sucesso de nosso movimento foi a articulação de tantas competências em várias esferas diferentes: pessoas físicas, jurídicas, entidades e instituições. E tantos elos da cadeia unidos pela mesma causa: produtores, fornecedores, cozinheiros, administradores, articuladores, comunicadores, membros da comunidade... E eu fico particularmente orgulhosa ao ver tantos jovens engajados, contribuindo com dinamismo e novas formas de trabalho e de interação. Confesso que eu aprendo muito com eles, e também rejuvenesço com sua energia e entusiasmo”, lembra a chef.

 

 

Histórico do MANF
 

O MANF reúne mais de 60 voluntários sob liderança da chef Telma Shiraishi, do restaurante Aizomê, todos unidos para viabilizar a produção e entrega das marmitas solidárias, mantendo o pagamento de cozinheiros, ajudantes, transportadores e pequenos fornecedores.

 

“Começamos timidamente, pois não tínhamos ideia da extensão da pandemia e do quanto conseguiríamos em termos de sustentabilidade. Só sabíamos que tínhamos que agir - e rápido. E continuar fazendo o que fosse possível. Chegamos a 8 meses de trabalho, com um projeto que só cresceu e também progrediu. Foi extremamente gratificante evoluir o projeto, de uma ação emergencial assistencialista, para um movimento de empoderamento da própria comunidade de destino”, afirma a chef.

 

Na cozinha do Aizomê, responsável pela produção de maio a setembro, foram produzidas 27.560 refeições. De setembro a dezembro foram entregues mais 22.440 marmitas, produzidas pelas cozinheiras da própria comunidade de Heliópolis, na cozinha comunitária instalada na Centro Educacional Mater Et Magistra, totalizando 50.000 refeições até o final do projeto.

 

“Enquanto o restaurante da Japan House estava fechado ao público fizemos lá as marmitas solidárias - centenas por dia, 7 dias por semana, durante 5 meses. Com a perspectiva de retorno das atividades do restaurante buscamos outra solução, e tudo se encaixou perfeitamente: a produção das refeições passou para a cooperativa de cozinheiras da própria comunidade assistida, gerando trabalho e oportunidades”, explica Telma.

 

Em dezembro, também foi possível contribuir com outros projetos sociais: Gastromotiva, de David Hertz; o Quebrada Alimentada, do chef Rodrigo Oliveira do restaurante Mocotó e sua esposa Adriana Salay; o Mesa Solidária, do chef banqueteiro Viko Tangoda; além do apoio aos estudantes do projeto Gastronomia Periférica do chef Edson Leite, garantindo mais 13.000 refeições à comunidade. “E isso só reforçou a vocação do Movimento Água no Feijão como articuladora de competências, como centralizadora de recursos e de captação de alimentos”, completa.

 

 

Projetos para 2021

 

Em dezembro de 2020, o MANF comunicou o encerramento das atividades. “Precisamos colocar as metas e nos organizar sempre com o peso da responsabilidade que assumimos, seja com a comunidade, seja com tantos que nos têm apoiado esses meses todos. Com a mudança do ano, tivemos que tomar a difícil decisão de pôr um termo ao projeto como realizado até então. O Movimento Água no Feijão é a união de diversas entidades e instituições independentes, mas não tem organização instituída. Por isso encerramos as atividades como assumidas em 2020 com o término do ano”, ressalta Telma.

 

O grande legado do movimento em 2020 é a força da união. “Foi incrível essa grande rede de solidariedade iniciada no auge do isolamento. Apesar do distanciamento e das dificuldades provocadas pela pandemia, nunca estivemos tão conectados pelo coração e por um propósito que nos leva além de nossas limitações e próprios desafios. Em 2021 esperamos continuar apoiando e distribuindo recursos para projetos de combate à fome, somando cada vez mais forças e multiplicando as frentes de atuação, ajudando onde for necessário com alimentos e capacidades. Só posso agradecer muitíssimo a todos e tantos que nos acompanham nessa jornada incrível!”, finaliza a chef Telma.

 

O Movimento Água no Feijão conta com o patrocínio Diamond da B3, patrocínio master da Mitsubishi Corporation do Brasil e o patrocínio da Fundação Kunito Miyasaka, Café Fazenda Aliança, Perfumaria Takeo e LW Design Group.

 

 

Movimento Água no Feijão

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