• Erika Yamauti

Bate-papo emocionante entre Adriana Salay e Telma Shiraishi discute a fome no Brasil

Atualizado: Abr 4

Uma conversa enriquecedora e muito inspiradora. No dia 30 de março, realizamos a live "Você tem fome do quê?" um encontro especial entre a chef Telma Shiraishi (idealizadora do Movimento Água no Feijão - MANF) e a pesquisadora Adriana Salay, coordenadora do projeto Quebrada Alimentada, com a apresentação de Vitor Nakamura, presidente da JCI Brasil-Japão. (*) A live foi transmitida pelo Facebook do MANF e da JCI Brasil-Japão e também pelo canal de Youtube da JCI Brasil-Japão, alcançando mais de 700 visualizações até o momento.



A live começou com a chef Telma apontando algumas semelhanças entre o MANF e o Quebrada Alimentada. "É curioso, porque tanto o Aizomê quanto o Mocotó são restaurantes estabelecidos, cada um em sua área, funcionando há décadas, e que no pior momento que podemos imaginar, juntaram forças para tentar impactar positivamente. Apesar de todos os desafios, não tem como negar a nossa vocação de alimentar pessoas. Quanto isso tudo começou, senti a necessidade de entender melhor qual é o problema da fome no Brasil e procurei a Adriana para aprender", relembra.


Solidariedade e senso de comunidade


A historiadora Adriana Salay desenvolve seu doutorado sobre a questão da fome no Brasil. Ela e marido, o chef Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó, mantém o Quebrada Alimentada, que serve 100 refeições diárias e cerca de 250 cestas básicas às famílias da Vila Medeiros, na zona Norte de São Paulo. "A comunidade estava passando fome, e entendemos que era hora de agir. Começamos a servir o que a gente chama de ´comida da família´, que as pessoas que trabalham no Mocotó comem. Não foi algo muito planejado, estudado, começamos fazendo e nesse momento de crise, precisamos atuar de forma emergencial e imediata, pois a fome não pode esperar", relata.


A chef Telma também relembrou o início do MANF e elencou as dificuldades. "Mobilizei todos os contatos para fazer a gestão do projeto de uma forma sustentável, pois esse é o nosso grande desafio. Afinal, a fome é diária, você precisa se alimentar todo o dia. Como fazer esse trabalho de forma regular, diariamente, com sustentabilidade e transparência? Essa crise infelizmente não termina com o final da pandemia, e decidimos que pelo menos até o final de 2021 vamos buscar formas de sustentar as nossas ações", adianta Telma.


Lições sobre a fome no Brasil


Essa foi uma oportunidade valiosa para Adriana, uma das maiores especialistas sobre a questão da fome no Brasil, compartilhar conhecimentos com o público. "A fome no Brasil esteve presente desde sempre, e é causada por condições estruturais da sociedade. Hoje vivemos em uma sociedade na qual o dinheiro dá acesso ao alimento. A renda é o fator central, e estamos num dos países mais desiguais do mundo, onde boa parcela da população não tem acesso à alimentação adequada e saudável desde antes da pandemia. Além disso, desde 2016 estamos enfrentando uma crise econômica que está se agravando, e grande parte da população perdeu toda a renda. Apesar da gente estar numa situação difícil, passar fome é ainda mais difícil, é uma situação que está no limite da humanidade - e por isso estamos atuando", constata.


Em março, todas as doações arrecadadas pelo MANF serão destinadas ao Quebrada Alimentada. Ao final da conversa, Adriana agradeceu pela oportunidade e pela parceria. "Admiro muito o trabalho da Telma e desse projeto incrível que vocês construíram. Muito obrigada pelo apoio ao Quebrada Alimentada. O que eu vejo na comunidade japonesa é um senso forte de comunidade, de olhar para o outro, se ajudar, e nesse momento, é nisso que temos que nos inspirar para nos tornarmos uma sociedade melhor e nos ajudarmos mais", finalizou.


Assista a live pelo link abaixo:


* Vitor Nakamura originalmente era convidado da live, mas acabou conduzindo o bate-papo, pois o apresentador Murilo Saito teve problemas técnicos e não conseguiu participar! :)

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